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O valor da reflexão

Por Lucas Aldi

57f1905660525b3254644a5c36beb9a3O dia ainda nem começou, mas as coisas já estão acontecendo a todo vapor, ou melhor, já estão acumuladas aguardando nossa atenção.

Plim! Uma nova notificação no smartphone. Será que essa informação é tão importante e urgente que necessite nossa atenção neste exato momento? Pode ser que sim, pensamos.

Estamos constantemente justificando nossas ações e isso tornou-se socialmente aceitável, ou pior, às vezes até uma cobrança. Precisamos correr, precisamos estar conectados, precisamos fazer isto agora para que consigamos êxito na tarefa que paga nossas contas, pronto, está justificado.

Essa é a atual estrutura comportamental da sociedade contemporânea, estamos online, estamos distraídos, estamos no automático. Os meses passam como se fossem dias, conectados e ao mesmo tempo mais distantes, cheios de recursos e ao mesmo tempo mais lentos.

Pense, em que momento do dia você consegue refletir um pouco sem ocupar-se de nada? Talvez ao tomar banho ou durante uma caminhada? Cada vez temos menos tempo ociosos, são pouquíssimas oportunidades para trabalharmos nossa mente num estado mais reflexivo e relaxado. Não vai demorar pra termos uma tela fixa no banheiro ao alcance das mãos para utilizar redes sociais ou consultar e-mails durante o banho. Nem dormindo conseguimos desligar, é tanta carga de informação que vamos deitar com a cabeça cheia e um smartphone conectado sempre ao lado.

Estarmos ocupados preenche o vazio, acalma os anseios e cria uma dependência inconsciente. É como um torpor coletivo, onde todos estão ocupados demais pra preocupações com a vida.

Estudamos e absorvemos de forma focada, mas também é preciso dar oportunidades para devaneios saudáveis, deixando a imaginação fluir oscilando com momentos de pensamentos dispersos para que o cérebro desenvolva novas informações, crie novos caminhos e conexões.

Os devaneios são caminhos para soluções e ideias incríveis, é como colocar a cabeça para fora do tornado do dia a dia e enxergar as coisas de uma perspectiva bem diferente.

Uma caminhada, um cochilo, um passeio ou simplesmente reservar um tempo para tomar um bom vinho, são exemplos praticados por grandes criativos da história como Beethoven, Kant e Darwin na busca de inspiração, só que naquela época as caminhadas não eram monitoradas por aplicativos conectados em seus dispositivos presos ao seu corpo, ao invés disso exista uma outra tecnologia de armazenamento de dados infalível para registro real time das eventuais concepções: um caderninho e um lápis bem apontado.

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